quarta-feira, janeiro 13, 2010

Há certas coisas que são inimagináveis, uma delas é um homem escrever uma música falando sobre a menstruação. Confesso que gosto das metáforas da letra.

Segue abaixo meu trecho favorito em tradução llivre:

De vez em mês
A Cegonha se suicida
E aí está você tão deprimida
Procurando uma explicação

De vez em mês
O céu rouba o seu milagre
O tempo te transforma em calendário
De uma vez, de vez em mês


E a letra original de " DE VEZ EN MES" de Ricardo Arjona

De vez en mes te haces artista
Dejando un cuadro impresionista
Debajo del edredón

De vez en mes con tu acuarela
Pintas jirones de ciruela
Que van a dar hasta el colchón

De vez en mes, un detergente
Se roba el arte intermitente
De tu vientre y su creación,
Si es natural cuando eres dama
Que pintes rosas en lacama
Una vez de vez en mes...

De vez en mes
La cigüeña se suicida
Y ahí estas tú tan deprimida
Buscándole una explicación

De vez en mes
El cielo te roba el milagro
El tiempo te hace un calendario
De una vez, de vez en mes

De vez en mes
Tú me propones
Huelga de hambre
Yo algo de imaginación.

De vez en mes la luna nueva
Viene a quitar lo que renueva
Y a colocar otra ilusión
De vez en mes soy invisible
Para intentar en lo posible
No promover tu mal humor

De vez en mes no hay quien te aguante
Y es tu pecado estar distante
Y otro peor quedarme ahí
Y aunque hay receso obligatorio
Y el cielo se hace un purgatorio
Te amo más de vez en mes

De vez en mes
La cigüeña se suicida
Y ahí estas tú tan deprimida
Buscándole una explicación

De vez en mes
El cielo te roba el milagro
El tiempo te hace un calendario
De una vez, de vez en mes

De vez en mes
Tú me propones
Huelga de hambre
Yo algo de imaginación.

De vez en mes
Tu vientre ensaya para cuna
Tu humor depende de la luna
Y yo te quiero un poco más

De vez en mes
A ti te da por tomar siestas
A tus hormonas por las fiestas
Y el culpable siempre yo

De vez en mes
No hay más reloj que el de tu cuerpo
No hay más luz que la que das
De vez en mes

Veja outras histórias que o guatemalteco transformou em música:





segunda-feira, janeiro 11, 2010

6 de janeiro

Um-a-um, os coloridos frutos foram deixando o pé.
Triste pela nudez, o pinheirinho dobrou seus galhos e foi dormir na caixa.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Depois de dar umas beliscadas em "Jogo de Damas" de David Coimbra, leio uma notícia sobre duas mulheres violentadas em suas casas - uma por um ladrão e outra pelo namorado (esta já com 59 anos de idade).

Posso concluir que o mesmo detalhe que dá tanto poder à mulher também é o que pode lhe conceder o maior infortúnio.

E, neste momento, lembro de duas cenas marcantes de estupro da ficção: Ana Terra, que enfrenta os invasores de sua casa para proteger a família - me nego a descrever uma cena tão dolorosa - na obra O Continente ( O Tempo e o Vento) de Érico Veríssimo e a irmã de Joana D'Arc (filme de Luc Besson), que dá seu esconderijo para salvar a caçula e acaba passando por um misto de estupro e necrofilia (uma cena nada suave nem agradável).

Confesso que é uma das coisas que mais me dão medo de andar na rua, falar com gente estranha, ficar só em casa. Se levarem meu querido computador, meu utilíssimo carrinho, minha amada motinho... estão levando algo que não lhes pertence, mas que posso substituir.

E o que fazer com a memória de quem sofreu violência sexual? Quando menos se espera a lembrança vem à tona, e daí?

Na verdade, o que realmente eu não consigo entender é que alguém seja capaz fisicamente de violentar uma pessoa, veja bem: em que momento o sujeito que foi surpreendido roubando a casa teve uma ereção? Como? Ele deveria ter medo, ou raiva, mas como ocorreu o desejo pela pobre vítima?

Não me parece humanamente possível.

O pior é que justo nessa hora, o sujeito não brocha. Com toda a pressão psicológica da situação.

Incrível o nível animalesco, instintivo da sexualidade masculina.

Por uma vagina homens matam ou morrem. Dominam ou sucumbem. Divaguemos, então...

sexta-feira, novembro 27, 2009

David Thorne

Sei que o post tá enooorme, mas vale a pena!


Fui apresentada ao dito-cujo pelo acidcow.com, quem fez as honras foi meu companheiro de momentos de tédio o stumble.

David Thorne é um designer, ou algo do gênero que costuma passar trotes bem-humorados via falsos e-mails.

Funciona assim: ele cria um conto a partir de supostas trocas de e-mails. Ao que parece (li meio desleixadamente na wikipedia) ele ficou famoso em 2008 pelo texto que li aqui e do qual coloco uma tradução abaixo, onde tenta pagar uma conta com o desenho tosco de uma aranha de sete pernas.

E tem outro texto que é o do primeiro link deste post. Dá uma lida... vale a pena (em inglês).


A tradução não é minha, é do mushi-san (link):

-------------------------------------------------

De: Jane Gilles
Data: Quarta-feira 8 Out 2008 12.19pm
Para: David Thorne
Assunto: Conta vencida

Caro David,
Nosso cadastro indica que sua conta no valor de $233.95 está vencida. Se você já efetuou este pagamento, por favor entre em contato conosco nos próximos 7 dias para confirmarmos o pagamento e que não está mais pendente.

Cordialmente, Jane Gilles.



De: David Thorne
Data: Quarta-feira 8 Out 2008 12.37pm
Para: Jane Gilles
Assunto: Re: Conta vencida

Cara Jane,
Estou sem dinheiro, então estou enviando no lugar este desenho que fiz de uma aranha. Estou cobrando $233.95 pelo desenho, então acredito que isto encerra o assunto.

Cordialmente, David.



De: Jane Gilles
Data: Quinta-feira 9 Out 2008 10.07am
Para: David Thorne
Assunto: Conta vencida

Caro David,
Agradecemos o seu contato. Infelizmente nós não podemos aceitar desenhos como pagamentos e sua conta continua devendo $233.95. Por favor entre em contato conosco nos próximos 7 dias para confirmarmos o pagamento e que não está mais pendente.

Cordialmente, Jane Gilles.



De: David Thorne
Data: Quinta-feira 9 Out 2008 10.32am
Para: Jane Gilles
Assunto: Re: Conta vencida

Cara Jane,
Por favor, você poderia mandar meu desenho da aranha de volta.

Cordialmente, David.



De: Jane Gilles
Data: Quinta-feira 9 Out 2008 11.42am
Para: David Thorne
Assunto: Re: Re: Conta vencida

Caro David,
Você me mandou o desenho por e-mail. Quer que eu envie de volta?

Cordialmente, Jane Gilles.



De: David Thorne
Data: Quinta-feira 9 Out 2008 11.56am
Para: Jane Gilles
Assunto: Re: Re: Re: Conta vencida

Cara Jane,

Sim, por favor.

Cordialmente, David.



De: Jane Gilles
Data: Quinta-feira 9 Out 2008 12.14pm
Para: David Thorne
Assunto: Re: Re: Re: Re: Conta vencida

Anexo



De: David Thorne
Data: Sexta-feira 10 Out 2008 09.22am
Para: Jane Gilles
Assunto: De quem é essa aranha?

Cara Jane,
Você tem certeza que foi esso o desenho de uma aranha que eu te enviei? Esta aranha só tem sete pernas e tenho certeza que não faria um erro tão básico quando a desenhei.

Cordialmente, David.



De: Jane Gilles
Data: Sexta-feira 10 Out 2008 11.03am
Para: David Thorne
Assunto: Re: De quem é essa aranha?

Caro David,
Sim, é o mesmo desenho. Eu copiei e colei do e-mail que você me enviou dia 8. David, sua conta continua devendo $233.95. Por favor, efetue o pagamento o mais rápido possível,

Cordialmente, Jane Gilles.



De: David Thorne
Data: Sexta-feira 10 Out 2008 11.05am
Para: Jane Gilles
Assunto: Resposta automática - fora do escritório

Obrigado por me contatar. Neste momento estou fora, viajando pelo tempo e retornarei semana passada.

Cordialmente, David.



De: David Thorne
Data: Sexta-feira 10 Out 2008 11.08am
Para: Jane Gilles
Assunto: Re: Re: De quem é essa aranha?

Olá, voltei e reli os e-mails e concordo, que apesar de faltar uma perna, esse desenho de uma aranha pode ser o que te enviei. Olhando em retrospecto, acredito que você pode ter rejeitado o desenho da aranha por causa da óbvia falta de um membro, mas que não apontou este erro para não ferir meus sentimentos. Sendo assim, estou enviando a você uma versão corrigida, desenhada com o número certo de pernas como pagamento da quantia que devo. Acredito que isso encerra o assunto.

Cordialmente, David.



De: Jane Gilles
Data: Segunda-feira 13 Out 2008 2.51pm
Para: David Thorne
Assunto: Re: Re: Re: De quem é essa aranha?

Caro David,
Como já afirmei, não aceitamos desenhos no lugar de dinheiro para quitar contas pendentes. Nós aceitamos cheques, ordens de pagamento ou dinheiro. Por favor, faça o pagamento essa semana para evitar mais taxas.

Cordialmente, Jane.



De: David Thorne
Data: Segunda-feira 13 Out 2008 3.17pm
Para: Jane Gilles
Assunto: Re: Re: Re: Re: De quem é essa aranha?

Eu entendo e definitivamente pagarei essa semana se lembrar. Como você não aceitou meu segundo desenho como pagamento, por favor me devolva o desenho o mais rápido possível. Foi ingênuo de minha parte acreditar que eu poderia providenciar para você algo completamente sem valor, desperdiçar seu tempo e então cobrar muito por isso.

Cordialmente, David.



De: Jane Gilles
Data: Terça-feira 14 Out 2008 11.18am
Para: David Thorne
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: De quem é essa aranha?

Anexo


------------------------------------------
Obs: parece que até ele vendeu a aranha por dez mil dólares, leiloaram o 'direito' de receber do autor uma cópia anexa da aranha por e-mail... hahaha

no site dele tem camiseta da aranha, caneca e tudo...

quarta-feira, novembro 18, 2009

A vida é cheia de problemas

sofrer com eles ou procurar uma solução é uma questão de escolha.



Saio de casa em direção ao trabalho, satisfeita por sair pontualmente, depois de alguns dias de atraso seguidos. Chove. Tem água empoçada nas calçadas e costeando o meio-fio formou-se um córrego de água barrenta que cobre os buracos do calçamento.

Quase chegando, vejo uma mulher segurando um guarda-chuva meio quebrado numa mão, na outra tentando apoiar-se numa muleta enquanto segura sua bolsa e olha para a prótese da perna caída meio metro atrás de si.

Um homem a ajuda mas não pode pegar a prótese porque está dando apoio ao braço em que ela segura o guarda-chuva.

Paramos. Saio do carro e tento ajudar. O homem pede que eu "pegue a perna dela". Um turbilhão instantâneo de dúvidas passam pela minha cabeça, será que consigo? oras não é uma perna, é só uma protese, que bobagem... ela precisa mais de minha ajuda do que eu de suposições tolas.

Buscando ser mais eficiente com as mãos que com a cabeça - que no momento pergunta se tem jeito certo de pegar - seguro com firmeza e coloco a prótese da forma que me pareceu melhor: onde ela possa encaixar a perna, perto dela e abaixo do guarda-chuva que meu marido segura.

Agora já éramos vários: um segura a mulher, outro segura seu gurada-chuva, meu marido segura outro guarda-chuva para cobrir os que estão ajudando (penso que talvez fosse a mim que ele queria cobrir) e uma senhora apareceu do nada para segurar a bolsa dela.

Com a mesma dignidade e humildade desde o início, ela termina de se ajeitar, agradece, pega suas coisas e segue seu caminho.

Saí feliz por ser útli, triste por ver alguém necessitar ajuda assim e orgulhosa por ela tratar o fato como um problema, algo que ela precisava resolver. Oras, a perna caiu? Coloca no lugar. Ponto.