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sábado, novembro 19, 2016

Eu tiNhA 13 AnOS

Eu tinha 13 anos. Parei no meio-fio, os pés paralelos, apontando para a avenida. À direita, a ladeira vinha do centro, à esquerda, se tornava plana e mais adiante reiniciava a inclinação. Eu estava no vale. Eu estava mesmo no fundo. Um ônibus vinha lá de cima, ninguém nas paradas da avenida, o motorista podia ver desde o alto que não teria que parar. Eu vi que ele descia rápido, aproveitando o embalo para subir o próximo trecho. Sem nenhuma dúvida, ele não tinha tempo de parar. Sem dúvida um simples passo e o plano letal era perfeito. Não precisei respirar fundo, não me senti nervosa, a decisão estava tomada, meio sem querer havia muitos dias, mas nunca havia elaborado um plano, nunca havia escolhido um método. Eu tinha 13 anos, de que outro jeito seria? Um ônibus no caminho da escola para casa, o óbvio, o simples.
Hoje percebo que aquilo foi grave, que eu tive intenção real de me matar.
Hoje percebo que quando descobri, por raciocínio lógico, que se não digerisse não engordaria e decidi provocar vômito depois de comer fartamente, algo não estava bem comigo.
Hoje tenho certeza de que não era normal, bonito nem saudável usar o estilete do colega para fazer cortes superficiais nos antebraços.
Passava horas seguidas sentada no chão chorando. Mas isso sim, eu percebi, naquela idade, que não era normal. Eu não conseguia parar, não conseguia me sentir menos triste. Muita tristeza. Toda a tristeza do mundo, uma tristeza tão forte, tão funda, tão dura, tão pesada... Tanta tristeza que dói. Ainda dói. Lembro de como doía.
Nunca mais me senti assim.
Tive dias de tristeza, de perda e de luto. Tive dias de vergonha, de derrota e de saudade. No entanto, nunca mais me senti assim, daquele jeito.
Eu tinha 13 anos, levantei o pé direito e o levei à frente. Mas antes de dar o passo definitivo, imaginei que talvez o motorista do ônibus me visse, tentasse parar, tentasse desviar. Imaginei o ônibus tombando, pessoas machucadas, desespero e gritos. Por um momento, parei o pé e percebi que meu plano poderia falhar fatalmente e poderia causar um mal enorme a muita gente. Baixei a cabeça, aí sim suspirei fundo e voltei para casa. Era preciso muita coragem para simplesmente decidir não mudar nada.

sábado, outubro 19, 2013

Verdade é como filho: cada um tem o seu.

 Almoço festivo. Maria, Antônia, Joselina e Griselda conversam em meio aos afazeres da cozinha. Com a algazarra que fazem bem se diria serem umas vinte mulheres, mas são apenas essas senhoras nomeadas.
O modo como seria preparada a salada gerou certa divergência. Joselina foi taxativa:
- Nada de temperos, a gente lava com cuidado as folhas de alface, descasca e corta o tomate e só.
- Que horror, Lina! Coisa bem sem gosto nenhum! Joga logo um fio de azeite de oliva que é bom pro coração! Minha Carol que disse.
- E o que tua filha sabe? Nunca cozinhou na vida, Antônia!
- A Carolina é a melhor aluna da faculdade de Nutrição! Sabe tudo e não precisa cozinhar pra isso. O outro dia um professor viu no currículo dela que ela tinha um curso especial de grãos integrais e queria que ela fosse pro laboratório dele trabalhar. Mas imagina! A professora, doutora não sei das quantas, quase enlouqueceu, não deixou a Carol ir. Tão brigando pela minha filha, tão boa ela é... vivem pedido coisas pra ela, colocando ela pra trabalhar nos projetos importantes... Ela é uma referência pros colegas.
- Parece o Luiz Roberto. O menino mal começou na veterinária tá lá fazendo cirurgia em boi! O pai tá todo orgulhoso. Dele, e do Dudu, que disse ontem que vai ser engenheiro.
- Mas, Maria, o próprio Luizinho me disse, semana passada, que só foi assistir à tal cirurgia.
- Então, Griselda! Foi o que eu disse, tá operando os bichos, já! E também faz o maior sucesso com os professores.
- Esse gurizada de hoje... Parece que já nascem sabendo mais que a gente. Mas eu vou levando essas saladas pra mesa.
- Espera, Lina! Não tá temperada!
- Não é pra temperar, deixa assim. O Carlinhos mandou eu baixar os temperos, disse que sal dá pressão alta, que a gordura do óleo entope as veias e sei lá mais o quê. Isso sem contar a quantidade de bactéria e micróbios que vem numa salada mal lavada, um perigo! Levo assim, e cada um põe o que achar melhor.
 E lá se foi Joselina com as vasilhas de salada. Quando voltou, o assunto eram os filhos brilhantes de cada uma.
- Então, Lina, teu filho tá trabalhando, já?
- Sim, o Carlinhos tem essa vocação de cuidar de gente. Tá trabalhando direto no posto perto de casa e nos fins de semana tira plantão em Capoira Alta, perto da casa da vó dele. Uma bênção esse menino, os pacientes adoram ele!
- Mas e os teus, Griselda? 
- Os meus filhos não são brilhantes. O João e a Mara, estudam um pouco, fazem festa com os colegas e de vez em quando pegam exame. São médios. Medíocres até. Mas vão se formar no tempo certo e vão ter um emprego decente. Acho que é isso que todos queremos para nossos meninos, né? 
 Foi como se ela tivesse dito uma coisa absurda, horrível, criminosa. 
 Mas era verdade, aliás, a única verdade completa que tinha sido dita naquela reunião. Para indignação das demais amigas, Griselda era super sincera.
E trocaram de assunto. Vai que Griselda começasse a falar verdades sobre os filhos delas também.


quinta-feira, outubro 25, 2012

ENXERGAR O MUNDO

Saiu de Andorinhas do Sul para estudar. Cursava o primeiro ano de faculdade quando completou 17 anos. Orgulho da família, na colônia era tido como um prodígio.

Interessado, logo se envolveu em projetos, conseguiu um estágio para custear as viagens a congressos. Colocou-se a meta de realizar um intercâmbio antes de terminar a faculdade.

Foi.

Ficou fora do país por um semestre. 

A avó, longe do único neto, sofria. Queria mandar carta, pediu o endereço quando ele ligou pra casa. "Demora muito, vó. É melhor a gente usar chat, fala com algum vizinho pra ensinar vocês." Ela não entendia. "Pela internet, vó. Com o computador, sabe? É bem fácil." Não sabia. Não gostava de mexer naquela coisa, tentou e não deu certo.

Quando voltou, já era início de período letivo, nem pôde ir pra casa ver a família. Recebeu encomenda de compotas, queijo, salame e uns tricôs pra usar ainda neste inverno. Ligou pra casa, gostou muito, agradeceu.

Tinha uma relação bonita com a família, mas agora era homem do mundo. Apresentava trabalhos e já começava a ensinar outros estudantes em oficinas e workshops. Destacava-se. Era bom naquilo.

Um acidente. O caminhoneiro dormiu, atravessou a pista e bateu de frente na Variant dos pais. "O condutor do veículo morreu na hora, a passageira, que estava no carona, foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu. O motorista do caminhão nada sofreu". 

A avó ficou sozinha. Daria tudo a ela, decidiu.

Concordaram facilmente. O acordo era simples, ela largava tudo para morar com ele mas iriam seguido para ver o pessoal de Andorinhas e visitar o cemitério. Entendiam-se muito bem.

Ter companhia quando estava em casa era muito bom. Sentava na varanda com a velhinha, reparavam na vizinhança e riam juntos.

Amava a avó, queria mostrar o mundo a ela. Paralelo ao mestrado dava aulas de "iniciação ao mundo real", como ele brincava ao contar para os amigos. Demorou um pouco, mas com o tempo ela pesquisava receitas novas e até aprendia alguns artesanatos nos vídeos do site do programa de tevê. Ela se esforçava pelo netinho. "Menino bom".

Colocou a avó em aulas de hidroginástica. Ela não gostava, dizia a ele, mas frequentava.

Pacientemente acolhia todas as novas ideias do rapaz. Ele queria ajudar.

Já era hora  de dar um novo passo. Contou a novidade com os olhos cheios de emoção: o doutorado seria na Inglaterra, tinham que providenciar o passaporte da velhinha. Ela ia pro estrangeiro!

Ela recebeu a notícia em silêncio, os olhos cheios de outra emoção. Pegou a mão do neto entre as suas. Tremia um pouco. Chorava. "Meu filho, vai. Mas a vó quer ir pra casa."

Explicou que era só por poucos anos, quando menos esperasse tinham voltado. E ela viajaria, conheceria lugares. Fariam um tour pela Europa. "Lá é tudo perto, vó". Ela não queria contrariar o neto, mas não mentiu.

Passou dois dias triste, procurando conselhos de todo mundo, precisava uma solução. Conversou de novo com ela, desistiria se ela não fosse junto. Estava muito idosa e não tinha a mais ninguém. 

Queriam se entender, mas não estava tudo bem.

Pela primeira vez desde que se mudara para lá, ela foi firme. Mas doce como sempre. Ele seria feliz se seguisse seu caminho, ela seria feliz se voltasse pra sua casinha, já a tinha pedido de volta aos inquilinos. E um estaria mais feliz se o outro também estivesse, era simples.

"Meu querido, esperei que você se formasse para voltarmos pra casa. Então, você continuou estudando e esperei de novo. Pensei que você poderia trabalhar lá, talvez, com tanto estudo, virasse nosso prefeito, consertasse a cidade, fizesse escolas bonitas. Vejo que você se esforça pra não perder contato, manteve a promessa de visitar a gente de lá... Mas, faz pouco, enxerguei bem: aquele não é seu mundo. Queria que você sentisse o que sinto naqueles campos, naquela praça. Queria que você fosse o orgulho da família lá. Queria exibir você para o meu mundo. Mas isso não te faria feliz, meu filho. Você quer exibir seu mundo pra mim, não vai dar certo. Entendi que o que é pequeno pra você é meu universo inteiro, mas também entendi que tudo que você acha de maior importância não faz falta nenhuma pra mim. Vai querido, quero que você tenha tudo o mesmo que eu: a sensação de fazer parte do mundo."

O neto foi embora. Achou lá uma moça que foi morar com ele.

A velhinha voltou para Andorinhas, conseguiu uma moça que fazia companhia e cuidava bem dela.

Ela foi a Londres para o casamento do neto e o bisnetinho inglês veio ao enterro dela.

Um mundo pleno, conquistado. Feliz por seguir seu próprio caminho.

sábado, maio 28, 2011

Exercício de dissertação

Sexos diferentes, mas igualdade nas relações.

Já estão longe os dias em que as escolhas amorosas e sexuais das mulheres eram alvo de ponderação alheia. Como consequência disso, a liberdade feminina para optar como e com quem se relaciona, sem medo de ser julgada, a deixou em condição de igualdade com o homem.

A mulher de hoje pode optar livremente pelo tipo de relacionamento que mais lhe convém. Se ela não quer compromisso, apenas escolhe o parceiro de ocasião segundo seus critérios. Se quer um relacionamento estável, ela namora, casa ou se estabelece como preferir. A liberdade de escolher como se relaciona significa que pode suprir sua carência, afetiva ou sexual, sem precisar seguir um modelo social específico, nem ser condenada por isso, diferentemente do que acontecia há poucas gerações, em que sofreria discriminação de familiares, vizinhos ou colegas de trabalho.

Além da liberdade de optar entre os estilos de relacionamento, a mulher também passou a selecionar com que tipo de homem quer se envolver. As definições “mulher para casar e mulher para se divertir”, amplamente usadas entre os homens de todos os tempos, também são usadas hoje pelas mulheres. Tornou-se comum um homem ser tratado como parceiro sexual esporádico quando ele tem um perfil de companhia para diversão, enquanto outros, mais interessados em relacionamentos duradouros, são definidos como homens para casar.

Não cabem dúvidas, portanto, de que a mulher, na forma como assume suas atitudes amorosas e sexuais, vive tempos de igualdade com o homem. Como resultado temos uma sociedade mais feliz, composta por homens e mulheres realizados, que cumprem seus desejos conforme preferências pessoais e em pé de igualdade.

segunda-feira, março 28, 2011

Eu tinha cerca de dez anos quando meu pai escolheu uma nova forma de torturar a mim e a minha irmã mais nova: a tabuada.

Nada relacionado a apanhar com tábuas, mas, metaforicamente, a mesma coisa.

Era um horror. Chegava o fim de tarde e ele nos chamava para cobrar a tabuada. Uma primeiro, a outra depois. Lembro bem que odiávamos, nos enchíamos de raiva daquela situação.

Um dia, percebi que os métodos do meu pai eram ruins, rígidos, desgradáveis mas, pelo menos, eu sabia a tabuada e isso era muito útil.

Hoje, uns 18 anos depois, lembrei desse episódio e percebi mais uma coisa: o admirável esforço de meu pai.

Nessa época, ele trabalhava longe de casa. Saía cedo para voltar tarde. Ficava o dia todo sem ver as filhas nem a esposa. E, quando chegava em casa, ao invés de curtir um momento feliz em família - humano desejo - ele fazia um esforço maior, por nosso bem.

Mesmo sabendo que odiávamos "a hora da tabuada", mesmo tendo que abrir mão de instantes de sossego e alegria, ele queria nos dar um patrimônio (do tipo que credores não levam).

Bem, matemática ainda é meu calcanhar de Aquiles, mas eu sei a tabuada, toda. Acho que valeu nossos sacrifícios.

sábado, março 19, 2011

Conviver com as diferenças...

Quando o azul encontrou com o branco, percebeu que, sendo diferentes, eles davam mais encanto ao céu.

Envelhecimento

Envelhecer é escolher entre lamentar o que não foi e realizar o que ainda se pode fazer.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Bóris, o sagaz

Apesar de seu porte imponente, musculoso, forte e bonitão, Bóris vivia subjugado às grades e muros de seu lar. Sempre vendo a vida passar pelas frestas.

Mas ele tinha uma arma secreta: um cérebro. Escondido por trás de olhos meigos e atentos.

Bastou uma única oportunidade. E Bóris a agarrou com unhas e dentes (e babou nela toda).

Foi livre.

De peito aberto, correu contra o vento, ignorando os que passavam por ele.

Em silencioso triunfo, correu.

Exibindo seus músculos bem definidos, correu.

Sentindo as bochechas como flâmulas ao vento, correu.

Mas sentiu que a liberdade perdia o sentido a cada passada, e parou.

Naquela noite Bóris dormiu feliz, na segurança amurada do carinho de quem o mantém não preso, mas a salvo.

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Quando decidimos que queríamos um novo cachorrinho, optamos por um boxer. São cães inteligentes, concluímos.

Mas, assim, sagaz, não esperávamos.

Deixamos que ficasse sozinho. Na segurança do pátio fechado. Com portão eletrônico. Não adianta pular, morder, trompar. Sem controle, não abre.

Mas se o problema era usar o controle, ele deu um jeito. Por uma dessas coisas do "destino", o controle que deixamos na garagem caiu ao chão.

Chegamos em casa depois de algumas horas. O portão aberto, sem marcas de ter sido forçado. A casa intacta, fechada, alarme ligado. Nada do cachorro. Nada, nem sinal.

E o portão todo aberto.

Cada um sai pra um lado. Chamando. E se ele foi para a rodovia? Pode estar longe, pode estar esparramado em metros de víceras atropeladas, pode ter sido levado por alguém.

Na rua lateral, na de baixo, no parque residencial... por onde começar, onde há mais riscos? onde há mais chances?

Ele apareceu. À porta de um vizinho amigo. Ficou feliz de nos ver. Fez festa como se quisesse contar do seu triunfo. Correndo, faceiro, voltou pra casa.

Perto do capacho, encontramos o controle babado. Fim do mistério.


terça-feira, agosto 03, 2010

Corazón de manteca

A verdade é que sou uma farsante...

Digo isso suave e baixinho, como uma confissão pra ninguém ouvir.

Debaixo da pele de lobo, tem um cordeiro.

Toda segura, falando com pose de sabichona, que sempre tem uma opinião a dar.

Reduzida a nada por uma crítica a algo realizado com amor e levada ao céu por um pequeno elogio ao esforço.

Entendo que amor é uma questão de interesses mútuos satisfeitos por pessoas com o mesmo plano de vida.

Mas sou apaixonada até o último nível por um rapazinho de carne e osso - e olhar profundo.

Digo que meu marido é imperfeito, comete erros, é um incorrigível.

Mas é tudo que preciso para estar em paz e não tolero que outros digam qualquer coisa ruim sobre ele.

Já faz algum tempo não temos discussões, somos práticos, resolvemos pautas em reuniões a portas fechadas.

Mas, todos os dias - praticidade à parte - divagamos sobre a vida linda que temos juntos.

Despertador a postos, não podemos nos atrasar: "Amanhã o despertador toca e vamos levantar direto pra dar tempo de blá-blá-blá".

Mas todos os dias, um segura o outro, num abraço apertado, cheirando o pescoço e pedindo mais um minutinho assim, só nós dois, em paz.

Se existe só uma pessoa pra cada um nesse mundo, é muita sorte ter encontrado a minha há doze anos, quase sem querer.


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"No matter what,
we know we've got everything that we need,
Each mornin' we wake up:

Four walls,
three words,
two hearts,
one love."


Trecho de "Four walls", Randy Travis

segunda-feira, janeiro 11, 2010

6 de janeiro

Um-a-um, os coloridos frutos foram deixando o pé.
Triste pela nudez, o pinheirinho dobrou seus galhos e foi dormir na caixa.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Coração apertadinho

Tem no meu coração um espaço que muda conforme a saudade bate
uns dias as pessoas que estão lá dentro crescem conforme aumentam os dias de distância.
De repente, parece que quase já não cabem
e as fibras que mantém o músculo fechado começam a estalar

Dá uma dor danada essa saudade toda
o peito apertado, o coração esgarçado

Acho que é isso que acontece quando perdemos alguém
seja por morte morrida ou contato matado
o tempo sem ver essa pessoa dói no peito
o coração começa a rasgar
fibras abertas
uma dor de saudade que nem tenho a que comparar

E elas escapam
libertas de nosso amor
libertas do aperto de dor

E o remédio que tudo cura, começa a suturar o coração
com o tempo, soltos, os entes queridos já não nos pertencem
fica deles só o reflexo dentro das paredes cardíacas
imagem borrada que mostra só o que queremos lembrar
o filtro que preserva e restaura a reputação dos que se vão

Meu coração é gato escaldado com medo de água fria,
mesmo com tanta tecnologia,
tem medo da distância

O contato eletrônico não substitui o ao vivo e a cores
o olho no olho e o impregnante cheiro da presença
presente...

hoje, em mim de mim...

quarta-feira, julho 29, 2009

O HOMEM REINCIDENTE

um problema
vários problemas
O PROBLEMA REINCIDENTE

um erro
o mesmo erro
A EXPLICAÇÃO REINCIDENTE

entende? não entende?
explico novamente
A PROMESSA REINCIDENTE

que tal um filme?
tá! mas uma comédia pra não te dar sono
E O RONCO REINCIDENTE

passo mal
cuida de mim?
O 'EU JÁ VOLTO' REINCIDENTE

de meia em meia hora
fico só horas a fio
TEVE UM PROBLEMINHA REINCIDENTE

faz direito ou não faz
a discussão permantente
O MEIA-BOCA REINCIDENTE

sinusite: nesse frio, de moto nem pensar
trouxe o agasalho?
O 'DE TI NEM LEMBRO' REINCIDENTE

cuida de mim?
se eu ficar triste tu me abraça?
O HOMEM VAGO REINCIDENTE

um pedido de desculpas
um toque de mãos
é pedir demais
PARA UM HOMEM REINCIDENTE

não tô brincando
eu tô indo
A FALTA DE AÇÃO REINCIDENTE

sábado, maio 16, 2009

ressucitando meu blog


(UM POUCO) INDIFERENTE A TUDO E A TODOS...
DIGA AO POVO QUE ESTOU PRONTA:
TENHO NOVAS COISAS QUE QUERO EXPORTAR DE MIM PARA CÁ... DE MIM, PRA MIM MESMA.

LARA-LARÁ! TEM GENTE QUE LÊ MEU bLOG! LARA-LARÁAAA!

quarta-feira, outubro 03, 2007

A mentira tem perna de menininha...

Quando eu era pequena, meu pai era o homem mais inteligente do mundo e minha mãe, a mulher mais sábia.
Inclusive, quando a gente é pequeno, tudo é o maior do mundo.
Hoje, meus pais desceram do pedestal e provam sua grandeza fingindo serem humanos. Assim, se tornaram mortais e capazes de errar.
Digo isso, porque estava pensando no quanto me tornei incapaz de mentir tendo sido já tão irremediavelmente mentirosa.
Explico melhor:
Não sei que idade eu tinha, mas o fato é que era muito pequena e mentia "a torto e a direito". Não lembro que coisas dizia, mas estava me tornando especialista.
Um dia descobri que ao mentir, as pessoas têm dificuldade de olhar direto nos olhos da vítima.
Quando minha mãe perguntava algo, eu olhava fundo em seus olhos e, sem nem piscar, mandava a maior mentira do mundo. Aos poucos, começou a funcionar.
Depois, soube que para uma mentira parecer verdade, o mentiroso tem que acreditar no que diz. Quando meu pai perguntava algo, eu respondia olhando nos olhos e com a certeza de quem "lembra" até de detalhes mínimos. Eu chegava a ter lembranças visuais do que estava dizendo.
O mais difícil - descobri sozinha - é que uma mentira só serve a seu criador se for sustentada por mentiras tangentes que se misturem com a realidade e acrescentem um tom de "é possível".
E sustentar uma mentira é muito difícil.
Mas eu estava mesmo me especializando.
No começo, lembro bem de minha mãe dizer "Estás mintiendo!" e eu ficar toda desconcertada.
Depois, ela me questionava e eu repetia o verso acrescentando detalhes "comprobatórios".
Mas um dia, acredite, meu prazer de mentir se tornou um arrependimento profundo.
Minha mãe - a mais sábia do mundo - depois de ouvir algo absurdamente falso, pôs olhos de imensa tristeza, fundos e nublados. Me olhou com algo que lembro como desconsolo, e desistindo de tentar, disse que já não sabia mais quando eu falava a verdade ou quando mentia.
Entendi que eu estava conseguindo que meus pais não quisessem mais falar comigo e prometi não mentir mais.
Acredite, meu treinamento pode funcionar muito bem hoje, mas nunca mais menti gratuitamente. Hoje minto para esconder uma surpresa ou para evitar que a verdade muito crua machuque quem eu amo.
E aviso: cuidadinho com o que me perguntar, sei mentir, mas não minto mais.

quarta-feira, agosto 08, 2007

"booo... [microfonia] ããã.... boa tarde a todos.

primeiramente, eu gostaria de agradecer pelo convite da direção da escola e pela presença de todos, nesta que pretende ser uma palestra sobre minha profissão.

[púlmões bem cheios de ar....]

Bem, meu nome é Tereza. Sou formada em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Vale de Itamiritim, MBA EXECUTIVO EM SAÚDE - GESTÃO HOSPITALAR. Trabalho há sete anos na área. [só uma breve introdução elucidatória]

quando recebi o convite para esta palestra fiquei em dúvida sobre o que diria, afinal a minha área é mesmo muito especial. A carreira administrativa tem me proporcionado muitas horas de trabalho contínuo e prazeroso.

... [uma tossidinha pra arranjar tempo e pensar]

Na verdade, muitas áreas me proporcionaram horas prazerosas... claro que é sempre muito estranho quando a gente diz que adora bordar em ponto-cruz... hehehe [riso desajeitado, bochechas vermelhas]


... [a platéia, em inédito silêncio, começa a prestar atenção, a maioria prende o ar para não rir]

Engraçado... Que mania é essa que a gente tem de classificar as pessoas por área. "Fulano é da área de informática". "Beltrano nasceu pra trabalhar na área de saúde". "Criação é que é a área da Cicrana"...

Parece até que nenhum alterofilista pode gostar de cultivar bonsais e fazer ambas coisas bem!!

Quem disse que por ser médico, o rapaz não pode gostar de limpar sua casa??!!!

A gente cria parâmetros, colocamos pessoas dentro de caixas etiquetadas. "Oras, se ela estudou arquitetura, só pode estar frustrada dando aulas de informática!!!" Será mesmo??

"Veja bem, estudou anos e agora largou tudo por causa de uma paixão doida!" Pois que faça o que melhor lhe vier!!!

Se eu gosto de aparar a grama, maquiar peruas e redigir textos publicitários, pois que faça tudo!! mais pessoas felizes é o que o mundo precisa e não um bando de MBAs cisudos, carrancudos, mal-amados e mal-resolvidos!

É chegada a hora de trabalhar com prazer e viver gozando na vida!!!!"

E, dizendo isso, ergueu os braços num gesto eufórico, arrancou o crachá, abriu a camisa, soltou os cabelos - cuidados com cremes feitos com ovo e mel - e foi até a praça aceitar o convite de casamento do pipoqueiro.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Quando eu estudava pro PEIES, em busca de paz e ambiente propício ao estudo, passava muitas horas na biblioteca central da UFSM. Cada vez que cansava, dava uma voltinha pelas prateleiras - lá em cima entre as mesas de estudo - e folheava alguns livros e revistas, em especial as de anatomia e obstetrícia, afinal, eu queria fazer medicina.

Numa dessas, eu li sobre a história da cesariana, em outra sobre a simetria do rosto. E este é o assunto de hoje. A ASSIMETRIA DO MEU ROSTO.

Sempre ouvi dizer que as pessoas bonitas são as que têm o rosto mais simétrico. Aham.

Seguindo, hoje, uma experiência proposta no livrinho que li aquela vez na biblioteca, peguei uma foto minha em que apareço com o rosto bem de frente:

Repare que o corpo está girado, mas o rosto está bem de frente (o que me deu um leve torcicolo) e, por gentileza, ignore a roupa, ela não tem nada a ver com o assunto.

A seguir, cortei a foto ao meio, copiei e espelhei. Ajustando lado direito original, com lado direito copiado deu NISTO:


Olha que horror! Esse, obvimente é meu lado fino! heheh

Eu mesma achei que não tinha dividido a foto ao meio, mas a original ta aí... aproveita e "faça você mesmo". Bom, lá vai meu lado gordo...hahaha:


Parece mentira, mas é fato!!

Antes tava olhando com calma pra mim no espelho, de frente, meu lado esquerdo É diferente do direito e muito! Eu so toda torta!!!

E não sou só eu. De acordo com minhas leituras naquele dia... as diferenças podem ser ainda maiores... tipo, pode chegar a nem parecer a mesma pessoa... experimenta!!

Só pra garantir (porque eu mesma to achando estranho... ) vou fazer com outra foto, assim que tiver uma bem de frente.

Por hoje é só pessoal!!!!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007


Esse desenho ilustrava a capa do meu caderno de biologia, no 2º grau, ele é de 1998...pufff.

A professora gostou tanto que assinou botando um "ótimo", oras, se fosse atividade de aula ainda vá, mas pra que escrever nos desenhos dos outros??? Na verdade eu acho legal, afinal, ficou de lembrança. Ah! É a Prof. Ema.

Obs: a fumaça foi reformada hoje, com auxílio photoshópico.... só quis esfumaçar e dar mais movimento... mas acabou aparecendo uma cabeça animalóide, só eu enxerguei???

terça-feira, janeiro 02, 2007

quinta-feira, novembro 30, 2006

Hoje estive pensando...


E se todas as profissões/ocupações/ aposentadorias pagassem o mesmo valor?


As pessoas só trabalhariam em ambientes agradáveis, escolheriam a carreira por exclusivo prazer de fazê-lo...


A economia do país ficaria estagnada...? Não sou muito boa em assuntos econômicos, mas acho que seria fatal para uma nação, sobretudo para um país falido, digo, em desenvolvimento.


Mas seria o fim das intriguinhas em ambiente de trabalho, da inveja de quem subiu na carreira.


E os políticos, então?? Só se candidataria a cargos políticos quem tivesse interesse em resolver os problemas dos cidadãos.


Pensa comigo nesta utópica situação do SUN - Salário Único Nacional. (juro que a palavra inglesa foi coincidência mas acabou dando um tom hippie, né?).

sexta-feira, outubro 20, 2006



Fazia tempo que eu não parava pra ler algo por puro prazer...


Acontece que minha mãe pediu que eu conseguisse O CÓDIGO DA VINCI - Dan Brown - pra ela ler. Quando ela devolveu, fiquei ainda uns dias com o livro antes de entregá-lo a sua dona. Nem dei uma folhada pra não ficar tentada... mas um dia, em meio a meus afazeres domésticos, a curiosidade foi maior, e sentei pra ler o comecinho do livro, só pra ver o estilo do autor, e tal...

Quando levantei haviam passado quatro horas de leitura... eu fui capaz de ficar a tarde inteira lendo o livro... Bom, o livro é mesmo grudento e é muito dinâmico, achei interessante os cortes narrativos... Fiquei curiosa pelo filme... E isso é uma exceção violenta nas minhas leituras, mas tem uma explicação razoável: fala de detalhes de obras e lugares, que como não posso visitar pessoalmente, o filme deve ajudar.

Alguém quer organizar uma excursão barata pra Paris e Londres???
Sou
parceira!!!