Eu tinha 13 anos. Parei no meio-fio, os pés paralelos, apontando para a avenida. À direita, a ladeira vinha do centro, à esquerda, se tornava plana e mais adiante reiniciava a inclinação. Eu estava no vale. Eu estava mesmo no fundo. Um ônibus vinha lá de cima, ninguém nas paradas da avenida, o motorista podia ver desde o alto que não teria que parar. Eu vi que ele descia rápido, aproveitando o embalo para subir o próximo trecho. Sem nenhuma dúvida, ele não tinha tempo de parar. Sem dúvida um simples passo e o plano letal era perfeito. Não precisei respirar fundo, não me senti nervosa, a decisão estava tomada, meio sem querer havia muitos dias, mas nunca havia elaborado um plano, nunca havia escolhido um método. Eu tinha 13 anos, de que outro jeito seria? Um ônibus no caminho da escola para casa, o óbvio, o simples.
Hoje percebo que aquilo foi grave, que eu tive intenção real de me matar.
Hoje percebo que quando descobri, por raciocínio lógico, que se não digerisse não engordaria e decidi provocar vômito depois de comer fartamente, algo não estava bem comigo.
Hoje tenho certeza de que não era normal, bonito nem saudável usar o estilete do colega para fazer cortes superficiais nos antebraços.
Passava horas seguidas sentada no chão chorando. Mas isso sim, eu percebi, naquela idade, que não era normal. Eu não conseguia parar, não conseguia me sentir menos triste. Muita tristeza. Toda a tristeza do mundo, uma tristeza tão forte, tão funda, tão dura, tão pesada... Tanta tristeza que dói. Ainda dói. Lembro de como doía.
Nunca mais me senti assim.
Tive dias de tristeza, de perda e de luto. Tive dias de vergonha, de derrota e de saudade. No entanto, nunca mais me senti assim, daquele jeito.
Eu tinha 13 anos, levantei o pé direito e o levei à frente. Mas antes de dar o passo definitivo, imaginei que talvez o motorista do ônibus me visse, tentasse parar, tentasse desviar. Imaginei o ônibus tombando, pessoas machucadas, desespero e gritos. Por um momento, parei o pé e percebi que meu plano poderia falhar fatalmente e poderia causar um mal enorme a muita gente. Baixei a cabeça, aí sim suspirei fundo e voltei para casa. Era preciso muita coragem para simplesmente decidir não mudar nada.
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sábado, novembro 19, 2016
quinta-feira, janeiro 24, 2013
Pesadelos
Lembro de dois pesadelos horríveis que tive...
Com cerca de 4 anos, imaginei que um homem comum escalava o muro de nosso vizinho e cravava uma faca nas costas de minha mãe, que estava de costas para ele, ela morria na hora e na frente de meu pai, minhas irmãs e eu. Era tão triste, tão real, que me apavorava, era possível. Isso sim dá medo: pessoas possíveis, lugares possíveis e a mãe da gente... nada pode ser pior!
O outro pesadelo de que me lembro, era recorrente, e parou de se repetir quando cresci: pontos brancos, muito pequenos, vinham do infinito na minha direção, o fundo preto e sem nenhum som...só isso, me angustiava de uma maneira que eu tinha medo de voltar a dormir e sonhar com isso. Depois, e estou falando do início dos anos 1990, criaram um protetor de tela que é bem o que eu sonhava, parece um pouco que viajamos por entre estrelas, meio star wars mesmo. A animação não me assusta tanto, mas o sonho era terrível. Vá entender.
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quarta-feira, abril 25, 2012
Um "causo" de Emerson Fittipaldi
Nasci no comecinho dos anos 1980.
Isso significa que cresci ouvindo discos, gravando k7, dançando lambada e achando que um dia saberia me virar como o McGiver fazia a cada domingo. Minto, nem sempre domingo era dia de salvar mocinhas com bombas de chiclete e grafite raspado de um lápis, muitas vezes era a hora da corrida.
Adoro corrida, mas corrida rápida mesmo. Pra quem cresceu com F1, outras modalidades não parecem tão velozes assim. Digo isso porque tenho em casa um admirador da "fórmula" Truck que, pra mim, mais parecem caixinhas de fósforo multicoloridas dando voltas numa pista. Não é a mesma coisa.

Dentre os maiores nomes da alta velocidade figura Emerson Fittipaldi. Um orgulho para o Brasil. Cheguei a acompanhar corridas na Indy e, portanto, suas vitórias nessa categoria.
Eu sei que prometi um "causo", mas como só contar um fato pitoresco sobre uma figura desse tamanho? Ele merece algumas honras.
Enfim:
Consta que um belo dia Fittipaldi levou sua mãezinha para dar uma volta em um carro de corrida. Não tenho certeza se foi num Ford GT40 ou num Porshe 917 (porque a reportagem fazia referência a ambos). Mas basta para deixar claro que era um veículo que numa boa pista e nas mãos certas não renderia um passeio qualquer.
Conta ele que acelerou fundo para ver a reação de sua mãe, mas ela permaneceu em silêncio nas retas e nas curvas. Sem nem um gemido de espanto. Pensei: ou tem muita confiança no filho, ou curte emoções fortes. Nada, ela tinha desmaiado.
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segunda-feira, março 28, 2011
Eu tinha cerca de dez anos quando meu pai escolheu uma nova forma de torturar a mim e a minha irmã mais nova: a tabuada.
Nada relacionado a apanhar com tábuas, mas, metaforicamente, a mesma coisa.
Era um horror. Chegava o fim de tarde e ele nos chamava para cobrar a tabuada. Uma primeiro, a outra depois. Lembro bem que odiávamos, nos enchíamos de raiva daquela situação.
Um dia, percebi que os métodos do meu pai eram ruins, rígidos, desgradáveis mas, pelo menos, eu sabia a tabuada e isso era muito útil.
Hoje, uns 18 anos depois, lembrei desse episódio e percebi mais uma coisa: o admirável esforço de meu pai.
Nessa época, ele trabalhava longe de casa. Saía cedo para voltar tarde. Ficava o dia todo sem ver as filhas nem a esposa. E, quando chegava em casa, ao invés de curtir um momento feliz em família - humano desejo - ele fazia um esforço maior, por nosso bem.
Mesmo sabendo que odiávamos "a hora da tabuada", mesmo tendo que abrir mão de instantes de sossego e alegria, ele queria nos dar um patrimônio (do tipo que credores não levam).
Bem, matemática ainda é meu calcanhar de Aquiles, mas eu sei a tabuada, toda. Acho que valeu nossos sacrifícios.
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sábado, março 19, 2011
Conviver com as diferenças...
Quando o azul encontrou com o branco, percebeu que, sendo diferentes, eles davam mais encanto ao céu.
Envelhecimento
Envelhecer é escolher entre lamentar o que não foi e realizar o que ainda se pode fazer.
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terça-feira, dezembro 14, 2010
lutinho
Uma coisinha que nem era pra ser,
uma coisinha que nem tinha como crescer,
uma bolinha pequena,
levou um pedacinho de mim... antes mesmo de eu saber.
Sem planos, sem intenção, sem querer,
agora que nem é mais... sinto a dor de perder algo que nem tive.
Vou me permitir um lutinho.
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quinta-feira, setembro 16, 2010
Bóris, o sagaz
Apesar de seu porte imponente, musculoso, forte e bonitão, Bóris vivia subjugado às grades e muros de seu lar. Sempre vendo a vida passar pelas frestas.
Mas ele tinha uma arma secreta: um cérebro. Escondido por trás de olhos meigos e atentos.
Bastou uma única oportunidade. E Bóris a agarrou com unhas e dentes (e babou nela toda).
Foi livre.
De peito aberto, correu contra o vento, ignorando os que passavam por ele.
Em silencioso triunfo, correu.
Exibindo seus músculos bem definidos, correu.
Sentindo as bochechas como flâmulas ao vento, correu.
Mas sentiu que a liberdade perdia o sentido a cada passada, e parou.
Naquela noite Bóris dormiu feliz, na segurança amurada do carinho de quem o mantém não preso, mas a salvo.
----
Quando decidimos que queríamos um novo cachorrinho, optamos por um boxer. São cães inteligentes, concluímos.
Mas, assim, sagaz, não esperávamos.
Deixamos que ficasse sozinho. Na segurança do pátio fechado. Com portão eletrônico. Não adianta pular, morder, trompar. Sem controle, não abre.
Mas se o problema era usar o controle, ele deu um jeito. Por uma dessas coisas do "destino", o controle que deixamos na garagem caiu ao chão.
Chegamos em casa depois de algumas horas. O portão aberto, sem marcas de ter sido forçado. A casa intacta, fechada, alarme ligado. Nada do cachorro. Nada, nem sinal.
E o portão todo aberto.
Cada um sai pra um lado. Chamando. E se ele foi para a rodovia? Pode estar longe, pode estar esparramado em metros de víceras atropeladas, pode ter sido levado por alguém.
Na rua lateral, na de baixo, no parque residencial... por onde começar, onde há mais riscos? onde há mais chances?
Ele apareceu. À porta de um vizinho amigo. Ficou feliz de nos ver. Fez festa como se quisesse contar do seu triunfo. Correndo, faceiro, voltou pra casa.
Perto do capacho, encontramos o controle babado. Fim do mistério.
Mas ele tinha uma arma secreta: um cérebro. Escondido por trás de olhos meigos e atentos.
Bastou uma única oportunidade. E Bóris a agarrou com unhas e dentes (e babou nela toda).
Foi livre.
De peito aberto, correu contra o vento, ignorando os que passavam por ele.
Em silencioso triunfo, correu.
Exibindo seus músculos bem definidos, correu.
Sentindo as bochechas como flâmulas ao vento, correu.
Mas sentiu que a liberdade perdia o sentido a cada passada, e parou.
Naquela noite Bóris dormiu feliz, na segurança amurada do carinho de quem o mantém não preso, mas a salvo.
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Quando decidimos que queríamos um novo cachorrinho, optamos por um boxer. São cães inteligentes, concluímos.
Mas, assim, sagaz, não esperávamos.
Deixamos que ficasse sozinho. Na segurança do pátio fechado. Com portão eletrônico. Não adianta pular, morder, trompar. Sem controle, não abre.
Mas se o problema era usar o controle, ele deu um jeito. Por uma dessas coisas do "destino", o controle que deixamos na garagem caiu ao chão.
Chegamos em casa depois de algumas horas. O portão aberto, sem marcas de ter sido forçado. A casa intacta, fechada, alarme ligado. Nada do cachorro. Nada, nem sinal.
E o portão todo aberto.
Cada um sai pra um lado. Chamando. E se ele foi para a rodovia? Pode estar longe, pode estar esparramado em metros de víceras atropeladas, pode ter sido levado por alguém.
Na rua lateral, na de baixo, no parque residencial... por onde começar, onde há mais riscos? onde há mais chances?
Ele apareceu. À porta de um vizinho amigo. Ficou feliz de nos ver. Fez festa como se quisesse contar do seu triunfo. Correndo, faceiro, voltou pra casa.
Perto do capacho, encontramos o controle babado. Fim do mistério.
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terça-feira, agosto 03, 2010
Corazón de manteca
A verdade é que sou uma farsante...
Digo isso suave e baixinho, como uma confissão pra ninguém ouvir.
Debaixo da pele de lobo, tem um cordeiro.
Toda segura, falando com pose de sabichona, que sempre tem uma opinião a dar.
Reduzida a nada por uma crítica a algo realizado com amor e levada ao céu por um pequeno elogio ao esforço.
Entendo que amor é uma questão de interesses mútuos satisfeitos por pessoas com o mesmo plano de vida.
Mas sou apaixonada até o último nível por um rapazinho de carne e osso - e olhar profundo.
Digo que meu marido é imperfeito, comete erros, é um incorrigível.
Mas é tudo que preciso para estar em paz e não tolero que outros digam qualquer coisa ruim sobre ele.
Já faz algum tempo não temos discussões, somos práticos, resolvemos pautas em reuniões a portas fechadas.
Mas, todos os dias - praticidade à parte - divagamos sobre a vida linda que temos juntos.
Despertador a postos, não podemos nos atrasar: "Amanhã o despertador toca e vamos levantar direto pra dar tempo de blá-blá-blá".
Mas todos os dias, um segura o outro, num abraço apertado, cheirando o pescoço e pedindo mais um minutinho assim, só nós dois, em paz.
Se existe só uma pessoa pra cada um nesse mundo, é muita sorte ter encontrado a minha há doze anos, quase sem querer.
- - - - - - - - -
Digo isso suave e baixinho, como uma confissão pra ninguém ouvir.
Debaixo da pele de lobo, tem um cordeiro.
Toda segura, falando com pose de sabichona, que sempre tem uma opinião a dar.
Reduzida a nada por uma crítica a algo realizado com amor e levada ao céu por um pequeno elogio ao esforço.
Entendo que amor é uma questão de interesses mútuos satisfeitos por pessoas com o mesmo plano de vida.
Mas sou apaixonada até o último nível por um rapazinho de carne e osso - e olhar profundo.
Digo que meu marido é imperfeito, comete erros, é um incorrigível.
Mas é tudo que preciso para estar em paz e não tolero que outros digam qualquer coisa ruim sobre ele.
Já faz algum tempo não temos discussões, somos práticos, resolvemos pautas em reuniões a portas fechadas.
Mas, todos os dias - praticidade à parte - divagamos sobre a vida linda que temos juntos.
Despertador a postos, não podemos nos atrasar: "Amanhã o despertador toca e vamos levantar direto pra dar tempo de blá-blá-blá".
Mas todos os dias, um segura o outro, num abraço apertado, cheirando o pescoço e pedindo mais um minutinho assim, só nós dois, em paz.
Se existe só uma pessoa pra cada um nesse mundo, é muita sorte ter encontrado a minha há doze anos, quase sem querer.
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"No matter what,
we know we've got everything that we need,
we know we've got everything that we need,
Each mornin' we wake up:
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domingo, novembro 08, 2009
AINDA SOBRE RELIGIOSIDADE
Eu era pequena... fazia minhas orações todas as noites e conversava com Deus, contava o que tinha achado do meu dia, que coisas eu achava que tinha feito bem e que coisas precisavam ser perdoadas.
Um dia, percebi que sentia falta de uma resposta (eu? querendo respostas? que novidade!).
Então, com o mesmo carinho de sempre, pedi que Deus me respondesse... entendia que ele era um ser supremo e, mesmo que eu tivesse sido feita à sua semelhança (eu tinha religião na escola, sim e uma família - sem fanatismos mas - religiosa) ele era diferente e não viria simplesmente verbalizar comigo.
Eu perguntava algo, geralmente uma resposta pra uma perturbação, algum dilema pessoal (judiaria!) e combinava que se chovesse era sim, se fizesse sol era não; se ventasse era sim, se nublasse era não, e assim por diante.
Tão bonitinho... se hoje eu fosse fazer isso acabaria trapaceando, afinal, sempre tem mais chance de uma coisa ou de outra.
Lembro que quando eles iam passar a previsão do tempo no jornal (costumava assistir com meu pai) eu saia correndo da sala pra não ver...
Eu era pequena... fazia minhas orações todas as noites e conversava com Deus, contava o que tinha achado do meu dia, que coisas eu achava que tinha feito bem e que coisas precisavam ser perdoadas.
Um dia, percebi que sentia falta de uma resposta (eu? querendo respostas? que novidade!).
Então, com o mesmo carinho de sempre, pedi que Deus me respondesse... entendia que ele era um ser supremo e, mesmo que eu tivesse sido feita à sua semelhança (eu tinha religião na escola, sim e uma família - sem fanatismos mas - religiosa) ele era diferente e não viria simplesmente verbalizar comigo.
Eu perguntava algo, geralmente uma resposta pra uma perturbação, algum dilema pessoal (judiaria!) e combinava que se chovesse era sim, se fizesse sol era não; se ventasse era sim, se nublasse era não, e assim por diante.
Tão bonitinho... se hoje eu fosse fazer isso acabaria trapaceando, afinal, sempre tem mais chance de uma coisa ou de outra.
Lembro que quando eles iam passar a previsão do tempo no jornal (costumava assistir com meu pai) eu saia correndo da sala pra não ver...
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Hoje tem romaria em Santa Maria
Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças
Eu que não sou católica, não entendo essa coisa de Nossa Senhora disso ou daquilo... um dia tentaram me explicar... eu tinha perguntado por que tinha Virgem de uma coisa e Virgem de outra, e Virgem daqui e Virgem dalí... afinal a Virgem que eu conhecia era a mãe de Cristo, e só. Aí responderam que era sempre a mesma... que mudava o nome conforme o lugar em que ela tivesse aparecido.
muito confuso... Tem Nossa Senhora do Bom Parto, tem Desata-nós, tem Nossa Senhora de tudo quanto é coisa... antes eu estranhava, queria entender como os fiéis entendem... hj acho que vale tudo e não estranho mais nada... na verdade descobri que os fiéis, em sua maioria, nem sequer entendem ou algum dia tentaram entender... só vão uns atrás dos outros (rezando pra santa da mãe ou na romaria mesmo).
Não é exatamente uma crítica... são minhas impressões. Pra quem não é do ramo...fica mesmo confuso... a qualquer momento aparece uma Nossa Senhora da Vassoura de palha... vá saber...
Eu que não sou católica, não entendo essa coisa de Nossa Senhora disso ou daquilo... um dia tentaram me explicar... eu tinha perguntado por que tinha Virgem de uma coisa e Virgem de outra, e Virgem daqui e Virgem dalí... afinal a Virgem que eu conhecia era a mãe de Cristo, e só. Aí responderam que era sempre a mesma... que mudava o nome conforme o lugar em que ela tivesse aparecido.
muito confuso... Tem Nossa Senhora do Bom Parto, tem Desata-nós, tem Nossa Senhora de tudo quanto é coisa... antes eu estranhava, queria entender como os fiéis entendem... hj acho que vale tudo e não estranho mais nada... na verdade descobri que os fiéis, em sua maioria, nem sequer entendem ou algum dia tentaram entender... só vão uns atrás dos outros (rezando pra santa da mãe ou na romaria mesmo).
Não é exatamente uma crítica... são minhas impressões. Pra quem não é do ramo...fica mesmo confuso... a qualquer momento aparece uma Nossa Senhora da Vassoura de palha... vá saber...
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quinta-feira, outubro 01, 2009
Coração apertadinho
Tem no meu coração um espaço que muda conforme a saudade bate
uns dias as pessoas que estão lá dentro crescem conforme aumentam os dias de distância.
De repente, parece que quase já não cabem
e as fibras que mantém o músculo fechado começam a estalar
Dá uma dor danada essa saudade toda
o peito apertado, o coração esgarçado
Acho que é isso que acontece quando perdemos alguém
seja por morte morrida ou contato matado
o tempo sem ver essa pessoa dói no peito
o coração começa a rasgar
fibras abertas
uma dor de saudade que nem tenho a que comparar
E elas escapam
libertas de nosso amor
libertas do aperto de dor
E o remédio que tudo cura, começa a suturar o coração
com o tempo, soltos, os entes queridos já não nos pertencem
fica deles só o reflexo dentro das paredes cardíacas
imagem borrada que mostra só o que queremos lembrar
o filtro que preserva e restaura a reputação dos que se vão
Meu coração é gato escaldado com medo de água fria,
mesmo com tanta tecnologia,
tem medo da distância
O contato eletrônico não substitui o ao vivo e a cores
o olho no olho e o impregnante cheiro da presença
presente...
hoje, em mim de mim...
uns dias as pessoas que estão lá dentro crescem conforme aumentam os dias de distância.
De repente, parece que quase já não cabem
e as fibras que mantém o músculo fechado começam a estalar
Dá uma dor danada essa saudade toda
o peito apertado, o coração esgarçado
Acho que é isso que acontece quando perdemos alguém
seja por morte morrida ou contato matado
o tempo sem ver essa pessoa dói no peito
o coração começa a rasgar
fibras abertas
uma dor de saudade que nem tenho a que comparar
E elas escapam
libertas de nosso amor
libertas do aperto de dor
E o remédio que tudo cura, começa a suturar o coração
com o tempo, soltos, os entes queridos já não nos pertencem
fica deles só o reflexo dentro das paredes cardíacas
imagem borrada que mostra só o que queremos lembrar
o filtro que preserva e restaura a reputação dos que se vão
Meu coração é gato escaldado com medo de água fria,
mesmo com tanta tecnologia,
tem medo da distância
O contato eletrônico não substitui o ao vivo e a cores
o olho no olho e o impregnante cheiro da presença
presente...
hoje, em mim de mim...
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quarta-feira, julho 29, 2009
O HOMEM REINCIDENTE
um problema
vários problemas
O PROBLEMA REINCIDENTE
um erro
o mesmo erro
A EXPLICAÇÃO REINCIDENTE
entende? não entende?
explico novamente
A PROMESSA REINCIDENTE
que tal um filme?
tá! mas uma comédia pra não te dar sono
E O RONCO REINCIDENTE
passo mal
cuida de mim?
O 'EU JÁ VOLTO' REINCIDENTE
de meia em meia hora
fico só horas a fio
TEVE UM PROBLEMINHA REINCIDENTE
faz direito ou não faz
a discussão permantente
O MEIA-BOCA REINCIDENTE
sinusite: nesse frio, de moto nem pensar
trouxe o agasalho?
O 'DE TI NEM LEMBRO' REINCIDENTE
cuida de mim?
se eu ficar triste tu me abraça?
O HOMEM VAGO REINCIDENTE
um pedido de desculpas
um toque de mãos
é pedir demais
PARA UM HOMEM REINCIDENTE
não tô brincando
eu tô indo
A FALTA DE AÇÃO REINCIDENTE
um problema
vários problemas
O PROBLEMA REINCIDENTE
um erro
o mesmo erro
A EXPLICAÇÃO REINCIDENTE
entende? não entende?
explico novamente
A PROMESSA REINCIDENTE
que tal um filme?
tá! mas uma comédia pra não te dar sono
E O RONCO REINCIDENTE
passo mal
cuida de mim?
O 'EU JÁ VOLTO' REINCIDENTE
de meia em meia hora
fico só horas a fio
TEVE UM PROBLEMINHA REINCIDENTE
faz direito ou não faz
a discussão permantente
O MEIA-BOCA REINCIDENTE
sinusite: nesse frio, de moto nem pensar
trouxe o agasalho?
O 'DE TI NEM LEMBRO' REINCIDENTE
cuida de mim?
se eu ficar triste tu me abraça?
O HOMEM VAGO REINCIDENTE
um pedido de desculpas
um toque de mãos
é pedir demais
PARA UM HOMEM REINCIDENTE
não tô brincando
eu tô indo
A FALTA DE AÇÃO REINCIDENTE
quinta-feira, julho 09, 2009
Dá trabalho tentar ser saudável
18h30 - saída pela porta de serviço
18h50 - entra na garagem de casa fugindo da chuva
18h50 - "a Viky pode dar aula pro meu filho hoje?" "tu pode?" "Posso, mas me dá um tempinho pra comer algo"
18h59 - um prato com pedaços de banana, mamão, flocos de milho, aveia, linhaça, mel e iogurte. Vai até a gaveta e pega uma colher... "teu aluno chegou" enfia a colher no prato, ainda decidindo se era mesmo justo - depois de fazer o esforço de salivar com um buraco no estômago preparando a comida - deixar a refeição oxidar na geladeira.
19h - potenciação, radiciação e divertidas (mesmo!) expressões numéricas. Uma animação interativa sobre frações, uns quantos exercícios e um menino bem cansadinho...
21h10 - "por hoje deu, tu tá cansado, descansa bem e continuamos amanhã"
21h20 - "vamos pro cinema?" "Dá tempo?" "tentamos"
21h59 - "só tem um ingresso" "certo, eu assisto e depois te conto como foi, hahahaha"
22h02 - a barriga ronca no estacionamento do shopping. "Vamos comer algo?" "Algo rapidinho, vamos tentar não dormir tarde" "Mc?" "Certo"
22h40 - em casa, pés no puff, assistindo a 'super câmera' e comendo um mcsupersizeme, delicioso por sinal.
23h - "uããããahhh, vamos deitar?" "uhum"
----
07h25 - "acorda! tá tarde!" "putz"
07h45 - vestida, calçada, pipi feito, rosto lavado e uma broca matinal no estômago... "levo o cereal com frutas e como lá"
8h20 - finalmente, mais de 12h depois, consegui fazer a única refeição decente da semana...
E vivas ao intestino irritável e às dores gástricas!!!
Conselho de nutricionista é utopia gastronômica, definitivamente!!!!
18h50 - entra na garagem de casa fugindo da chuva
18h50 - "a Viky pode dar aula pro meu filho hoje?" "tu pode?" "Posso, mas me dá um tempinho pra comer algo"
18h59 - um prato com pedaços de banana, mamão, flocos de milho, aveia, linhaça, mel e iogurte. Vai até a gaveta e pega uma colher... "teu aluno chegou" enfia a colher no prato, ainda decidindo se era mesmo justo - depois de fazer o esforço de salivar com um buraco no estômago preparando a comida - deixar a refeição oxidar na geladeira.
19h - potenciação, radiciação e divertidas (mesmo!) expressões numéricas. Uma animação interativa sobre frações, uns quantos exercícios e um menino bem cansadinho...
21h10 - "por hoje deu, tu tá cansado, descansa bem e continuamos amanhã"
21h20 - "vamos pro cinema?" "Dá tempo?" "tentamos"
21h59 - "só tem um ingresso" "certo, eu assisto e depois te conto como foi, hahahaha"
22h02 - a barriga ronca no estacionamento do shopping. "Vamos comer algo?" "Algo rapidinho, vamos tentar não dormir tarde" "Mc?" "Certo"
22h40 - em casa, pés no puff, assistindo a 'super câmera' e comendo um mcsupersizeme, delicioso por sinal.
23h - "uããããahhh, vamos deitar?" "uhum"
----
07h25 - "acorda! tá tarde!" "putz"
07h45 - vestida, calçada, pipi feito, rosto lavado e uma broca matinal no estômago... "levo o cereal com frutas e como lá"
8h20 - finalmente, mais de 12h depois, consegui fazer a única refeição decente da semana...
E vivas ao intestino irritável e às dores gástricas!!!
Conselho de nutricionista é utopia gastronômica, definitivamente!!!!
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sábado, maio 16, 2009
ressucitando meu blog

(UM POUCO) INDIFERENTE A TUDO E A TODOS...
DIGA AO POVO QUE ESTOU PRONTA:
TENHO NOVAS COISAS QUE QUERO EXPORTAR DE MIM PARA CÁ... DE MIM, PRA MIM MESMA.
LARA-LARÁ! TEM GENTE QUE LÊ MEU bLOG! LARA-LARÁAAA!
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Da série livros que eu deveria ler...
Parada por mais de meia hora em uma fila de supermercado, tentei me distrair fazendo todo o tipo de piada sobre coisas e pessoas visíveis para não sucumbir ao tédio. Foi quando avistei alguns livros de bolso... Radicci, Agatha Christie, Castro Alves, Tapejara, Machado de Assis, Garfield e...Kafka.
Sabendo que a obra de Kafka é muito comentada e que influenciou muitos escritores, intrigou psicanalistas e se desdobrou em peças de teatro, peguei referida obra para ver-lhe o preço - claro, pode ser importante, mas nem tanto que seja necessário financiar - felizmente custava menos que uma revista que costumo comprar. Assim, influenciada principalmente por Inimigos do Rei (Uma barata chamada Kafka), e por La Tabaré (El Kafkarudo), comprei-o-o.
Sobre a obra tenho a dizer apenas que agora entendo melhor as letras dessas músicas e que não concordo (quem sou eu...) com muitos dos comentários do tradutor. Fora isso, não mudou minha vida mas, do mesmo modo que Madame Bovary, criou imagens marcantes que vêm à tona em várias situações cotidianas.
E, como tudo que faço, dei uma pesquisada na internet e, como sempre parece acontecer, encontrei algo interessante. No caso, uma solução diferente para o problema do personagem central (clique para ampliar) que tirei daqui:
Sabendo que a obra de Kafka é muito comentada e que influenciou muitos escritores, intrigou psicanalistas e se desdobrou em peças de teatro, peguei referida obra para ver-lhe o preço - claro, pode ser importante, mas nem tanto que seja necessário financiar - felizmente custava menos que uma revista que costumo comprar. Assim, influenciada principalmente por Inimigos do Rei (Uma barata chamada Kafka), e por La Tabaré (El Kafkarudo), comprei-o-o.
Sobre a obra tenho a dizer apenas que agora entendo melhor as letras dessas músicas e que não concordo (quem sou eu...) com muitos dos comentários do tradutor. Fora isso, não mudou minha vida mas, do mesmo modo que Madame Bovary, criou imagens marcantes que vêm à tona em várias situações cotidianas.
E, como tudo que faço, dei uma pesquisada na internet e, como sempre parece acontecer, encontrei algo interessante. No caso, uma solução diferente para o problema do personagem central (clique para ampliar) que tirei daqui:
sábado, agosto 16, 2008
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sexta-feira, novembro 30, 2007
Elvis
Se Elvis não morreu não sei, pra mim ele nasce.
Cada vez me apaixono mais pela voz e obra dele, acho que ele era mesmo O CARA.
Ainda que profunda desconhecedora, até a história dele é interessante. Acho que dá pra fazer um paralelo (com as devidas diferenças) com a de Britney Spears, afinal, a fama veio repentinamente, ainda muito jovens e fans e fotos e filmes e shows e casamentos desfeitos e loucura... francamente, viver assim, não é viver.
Sempre digo que me sinto bem paga pelo reconhecimento do meu trabalho, mas isso passa longe da fama, essa coisa estúpida que é o fanatismo - ou faniquitismo - destrói com a qualidade de vida. Quem foi que disse que artista não tem os mesmos direitos à paz que nós temos.
Em termos de trabalho, Elvis, o eterno, produziu impecavelmente. Uma salva de palmas admiradas pra ele que, mesmo depois de 30 anos morto, ainda toca profundamente minha alma e transmite com sua música sensações incríveis.
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quarta-feira, outubro 03, 2007
A mentira tem perna de menininha...
Quando eu era pequena, meu pai era o homem mais inteligente do mundo e minha mãe, a mulher mais sábia.
Inclusive, quando a gente é pequeno, tudo é o maior do mundo.
Hoje, meus pais desceram do pedestal e provam sua grandeza fingindo serem humanos. Assim, se tornaram mortais e capazes de errar.
Digo isso, porque estava pensando no quanto me tornei incapaz de mentir tendo sido já tão irremediavelmente mentirosa.
Explico melhor:
Não sei que idade eu tinha, mas o fato é que era muito pequena e mentia "a torto e a direito". Não lembro que coisas dizia, mas estava me tornando especialista.
Um dia descobri que ao mentir, as pessoas têm dificuldade de olhar direto nos olhos da vítima.
Quando minha mãe perguntava algo, eu olhava fundo em seus olhos e, sem nem piscar, mandava a maior mentira do mundo. Aos poucos, começou a funcionar.
Depois, soube que para uma mentira parecer verdade, o mentiroso tem que acreditar no que diz. Quando meu pai perguntava algo, eu respondia olhando nos olhos e com a certeza de quem "lembra" até de detalhes mínimos. Eu chegava a ter lembranças visuais do que estava dizendo.
O mais difícil - descobri sozinha - é que uma mentira só serve a seu criador se for sustentada por mentiras tangentes que se misturem com a realidade e acrescentem um tom de "é possível".
E sustentar uma mentira é muito difícil.
Mas eu estava mesmo me especializando.
No começo, lembro bem de minha mãe dizer "Estás mintiendo!" e eu ficar toda desconcertada.
Depois, ela me questionava e eu repetia o verso acrescentando detalhes "comprobatórios".
Mas um dia, acredite, meu prazer de mentir se tornou um arrependimento profundo.
Minha mãe - a mais sábia do mundo - depois de ouvir algo absurdamente falso, pôs olhos de imensa tristeza, fundos e nublados. Me olhou com algo que lembro como desconsolo, e desistindo de tentar, disse que já não sabia mais quando eu falava a verdade ou quando mentia.
Entendi que eu estava conseguindo que meus pais não quisessem mais falar comigo e prometi não mentir mais.
Acredite, meu treinamento pode funcionar muito bem hoje, mas nunca mais menti gratuitamente. Hoje minto para esconder uma surpresa ou para evitar que a verdade muito crua machuque quem eu amo.
E aviso: cuidadinho com o que me perguntar, sei mentir, mas não minto mais.
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sábado, junho 30, 2007
Ota la tortuguita

Ota, la tortuga que vivia en Santa Maria
pero un día se durmió
porque hacia frío y se congeló
pero en el verano siguiente se va a despertar
porque va a tener hambre de matar
ota cuando se despierta
come como un león
mucho camarón!!!!!!
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